
Cirurgias mal-sucedidas: quando o médico responde pelo resultado
Nem toda cirurgia que apresenta complicações significa erro médico. Existem riscos inerentes a qualquer procedimento.
Contudo, quando há falha técnica, falta de cuidado ou conduta inadequada, o paciente pode sofrer danos físicos, emocionais e financeiros — e nesses casos há responsabilidade civil.
A Justiça brasileira reconhece como erro em cirurgia situações em que o médico ou o hospital deixam de seguir protocolos essenciais, realizam procedimentos incorretos ou deixam de monitorar adequadamente o pós-operatório.
Exemplos comuns de erros em cirurgias
Casos frequentemente analisados pelos tribunais incluem:
- Cirurgia realizada no lado errado do corpo;
- Perfuração de órgãos sem justificativa técnica;
- Esquecimento de gazes, pinças ou instrumentos dentro do paciente;
- Falha no controle de sangramento;
- Erro no cálculo de anestesia;
- Falta de monitoramento adequado no pós-operatório;
- Não identificação de infecção hospitalar precoce.
Em qualquer dessas hipóteses, o paciente pode buscar indenização por danos morais, materiais e estéticos.
Quando a cirurgia falha por risco natural — e quando é erro
Toda cirurgia envolve risco. Porém, o risco não afasta a responsabilidade quando:
- O paciente não foi informado adequadamente sobre complicações possíveis;
- O médico não adotou protocolos de segurança;
- A equipe atuou com falta de atenção, negligência ou imperícia;
- O resultado negativo poderia ter sido evitado com conduta adequada.
A chave é demonstrar que houve falha evitável, e não apenas um desfecho comum à natureza do procedimento.
Como provar erro em cirurgia
A prova mais importante é a perícia médica judicial, que avalia:
- Técnicas utilizadas na cirurgia;
- Procedimentos adotados pela equipe;
- Descrição completa do ato cirúrgico;
- Prontuário, exames e laudos complementares;
- Evolução clínica do paciente.
Documentos fundamentais incluem:
- Relatórios médicos e laudos particulares;
- Fotos do pós-operatório;
- Exames pré e pós-cirúrgicos;
- Notas fiscais de medicamentos, fisioterapia e reparação estética.
📎 Veja também: Como reunir provas de erro médico
📎 Saiba como funciona a Perícia médica
Direitos do paciente após uma cirurgia mal-sucedida
O paciente pode requerer:
- Reparação por danos morais decorrentes da dor e sofrimento;
- Danos estéticos, quando há cicatrizes ou deformidades;
- Danos materiais, como novas cirurgias, medicamentos e fisioterapia;
- Responsabilização de médico, hospital e, em alguns casos, plano de saúde.
Muitas vezes, o plano de saúde se envolve quando nega tratamentos necessários, como revisões cirúrgicas ou internações — tema relacionado à
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